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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Lua Sedutora

Presa no lago, admirando suas feições, meus sentidos reúnem-se me salvando dos seus olhos.
Seus lábios de fogo, me fazendo adormecer neste labirinto onde me encontro.
Desperto pra ti, revelando meus desejos mais profundos.
Não posso fechar os olhos até que partas.
Seu timbre vagueia por tudo, até mesmo quando está ausente. Tudo o que vejo é a imagem do teu rosto. Meu interior gritante na precisão de sua voz, chama pelo ser da lua sedutora.
O tempo nos envolve silenciosamente e lá estou, servindo aquele anjo dominador que me visita todas as noites, por todos os lugares. Ele está em mim e eu anseio por sua luz.
Almejo por sua presença a toda hora.
Atuarei em seus sonhos até que partas. Minha Lua Sedutora.

M.M

quarta-feira, 2 de março de 2011

Fantasmas

Quando só, os pensamentos me acompanham. Sempre intrigados, distantes, como a neblina confusa de um longo caminho. Meus passos rastejantes pelo solo, meus sentimentos em conflito, seus rostos em minha memória, meu coração partido em três.

Fecho os olhos, e sinto o vento frio em minha pele, castigando minha alma, culpando-me por minha ausência. Sinto falta deste frio, que tanto me surrou, mas que sempre foi o motivo pra eu respirar, e me sentir viva.

Logo adiante, uma mão se estende. E este frio é substituído pelo calor daquelas mãos. O rosto indecifrável, o olhar suplicante. Era o meu cavalheiro sem face chamando pelo meu nome. Eu quis fugir para não ouvir sua canção ameaçadora, abri os olhos e corri.

E quando no desespero me encontrava, olhei para cima e contemplei. Era a minha lua sedutora, me cercando como serpente. E nos seus olhos me refugiei, me perdendo muito mais. Inertes no tempo, com os sentidos entorpecidos, eu não me movi. Eu a desejei inconscientemente em silêncio, mas ela lia todos os meus enigmas, conhecendo cada parte de mim. Eu me apaixonei. E Ainda carrego meus fantasmas, como um cubo. Cada lado, um rosto, entre eles, minha lua.



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Caminhos

Perdida em minha jornada, uma criatura vagueava por mim. Tornou-se minha estrela, meu sol, e eu a segui. Tudo em mim era seu, até minha respiração. Meu coração em suas mãos gélidas, a sua imagem refletida em meus olhos, romantismo mascarado. Honrei nosso elo, como protege um diamante. Caminhei pelo deserto noturno, buscando encontrar respostas para os meus medos. Suas doces palavras envenenando todo meu interior, tudo o que eu queria, era a eternidade.

Estive tão alto, e decair. Tudo por onde percorriam os meus olhos, tinham suas marcas, sua face, seu timbre. Parte de mim adormeceu suplicante. Eu a perdi.

Hoje contemplo de longe sua mudança. Seu brilho ofuscava minha visão, fazendo-me ignorar qualquer vida ao redor. Conheci a dor que me fortaleceu, levando minhas abstinências com o vento. Lamento então nunca ter visto sua alma. Sua presença me enfraquecia, cercando-me de temores. Vi nossa aliança se partindo, e o amor escorrer pelos meus dedos. A visão da separação de nossas mãos apagou as palavras nunca ditas que me fariam sangrar. Escondi-me com o véu para não mais sentir dor. Destruí-me, como teu escudo. Mesmo distante, sei que me chamas, e permaneço aqui... Até que eu possa um dia enxergar, além de sua alma.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Presença

Perdida estou, nessa turva neblina. A luz se esconde atrás da tentação. O Mar parece silencioso. E sua presença é a única agora. Impossível não notar-te. A cada salto teu, vou decaindo. Este véu é da cor da noite, cobre minha visão confusa. Estou caindo pra você. Eu te vejo e logo me ceguei. Nada me leva pra longe de ti. E o teu canto ainda me chama. Nas noites, me alucino com tua face. O teu olhar segura os meus por horas. Descrever-te seria como desenhar no escuro. Mas ainda consigo te sentir. Suas mãos mostram a realidade. Dias e noites voam, e logo nos vejo mais perto. Esqueço até o meu destino. Esqueço-me de quem sou, e me entrego.

M.M

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Criação

          O sol se escureceu, somente para aquele momento. Não enxerguei nada, além daquele espaço. Eu era livre, mas não parti. Suas correntes envolvendo os meus pulsos gentilmente, e eu me perdendo em seus olhos negros. Por horas, não respirei. Ainda sinto o fogo correndo na minha pele, e o seu sangue sussurrando por minhas veias.

Paralisou minha mente, meus olhos, meu eu. Entrou em meus sonhos, desvendou meus segredos. Inverteu meu mundo, me fez transpirar. Entorpeceu meus sentidos, elevou-me, fez de mim sua criação, e me esqueci, que tudo aquilo era real.

Contorno todos os seus movimentos, como um magneto. E quando acordo, estou do seu lado. Já não resisto aos seus chamados. E te ouço em qualquer lugar. Te sinto por todos os lados, mas me recuso a olhar. Tu estendes as mãos, me convida. E eu renego, correndo para os meus medos, contradizendo tudo o que mostra minha transparência. Vejo-me refletida em seu olhar, voltando à realidade. É o meu rosto imóvel, meus pensamentos vagantes pela inércia, os meus temores assombrando as minhas noites, e o desejo constante de te encontrar mais uma vez.




 M.M

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Minhas Rosas

          Acordei sentindo um vazio, como se tivessem roubado algo em meu interior. O meu corpo enfraquecido, meus sentimentos em desespero, e eu, com uma vontade enorme de querer adormecer, esquecer de que tenho vida, e ouvir minhas melodias. Os meus caminhos se entrelaçaram, confundindo minha visão. Estou caminhando sem pensar no amanhã. Ao mesmo tempo, sinto que estou bem, mesmo envolvida nessa neblina que me cobre. Posso ver além. Os meus passos rastejantes pelo solo, fazem me lembrar de algum dia, em que fui triste e pura. Gostaria de chorar, porém, o tempo secou minhas lágrimas, e congelou meu coração. Gostaria de fazer bem a todos, mas sem ferir a mim mesma. Quebrei as correntes, os laços, tudo o que me dava razão. Meus aliados, a quem dou o meu sangue, fugiram. Só quero fechar os olhos, e esquecer que existo. Não quero pensar, andar, apenas sentir. Caminhava silenciosamente naquela noite, somente as arvores me ouviam. Senti o frio na minha pele, mas não era pior do que aquela tristeza que me acompanhava. Lembranças se espelhavam através dos meus olhos, os sussurros de suas vozes em minha imaginação. Quase não acreditei que sobrevivi sem ar. Minhas rosas... Devo agradecê-las pela minha solidão, assim essas  palavras não existiriam. Deem-me as mãos, ainda sou eu, a quem sempre as regou. Fogem de mim, como se fosse um estranho. Anseio pelo sol de inverno, pra que esse frio passe, e possa ter suas almas, ainda ligadas a minha.



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Ser da Lua

Meu canto te trouxe pra mim. Águia noturna. Eu tentava decifrar as estrelas do céu, quando você apareceu. Com vestes negras, rosto turvo. Veio confundindo aos arredores.  Difere tudo o que conheço.  Algo em ti me invoca silenciosamente, enquanto te observo. Não posso seguir. Não quero chorar sob o teu sangue.
Não voe, não desapareça. Almejo por tua presença ao mesmo tempo em que temo. Quero ficar observando seus movimentos, perdida no seu olhar. Onde está agora? Não vejo. Me nego a te chamar.
 Estas tempestades que vem junto contigo, arrebata minhas razões. Os meus sentidos congelados em tantos mistérios que quero decifrar. Não sei o que vou encontrar, não voltarei ao meu caminho, não seguirei adiante, ficarei aqui, esperando que me leve.
M.M